A gente se encontra todo dia. Dizemos nomes, trocamos acenos e perguntamos se está tudo bem. Mas, se pararmos para olhar bem nos olhos, percebemos um segredo, somos estranhos que sabem o nome um do outro.
O que nos une não é o que cativa, é o hábito. É o jeito de se vestir, o jeito de falar e as regras que todo mundo segue para não parecer "estranho". Criamos uma peça de teatro onde cada um já sabe o seu papel.
É triste e curioso ao mesmo tempo. Você pode estar em uma sala cheia, ouvindo vozes e risadas, e ainda assim sentir que ninguém ali realmente te viu. Estão vendo a sua roupa, o seu sorriso de educação, o seu trabalho... mas não veem você.
No fim das contas, vivemos cercados de gente, mas moramos sozinhos dentro de nós mesmos. O padrão social é como uma ponte que liga as calçadas, mas nunca chega a entrar dentro das casas. Ficamos ali, parados no portão, acenando para pessoas que nunca convidamos para entrar.
- Rita Lourenço
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