domingo, 4 de janeiro de 2026

As Coisas que Ninguém Viu

Houve um período em que eu não queria ser vista. 

Não porque eu tivesse medo do mundo, mas porque eu ainda estava aprendendo a me enxergar.

Carreguei culpas que não eram minhas.

Esperei respostas que nunca vieram.

Insisti em pessoas que já tinham partido sem se despedir.

Demorei para aceitar que algumas dores não pedem explicação.

Pedem apenas despedida.

Foi nesse espaço entre o que eu esperava e o que a vida me entregava que comecei a crescer.

Crescer é perder certas ilusões e ganhar uma paz estranha com isso.

Eu parei de me desculpar por sentir demais.

Entendi que minha sensibilidade não era fraqueza, era percepção.

Aos poucos, fui aprendendo a não me abandonar.

Mesmo quando tudo em mim queria fugir.

Ninguém viu esse processo.

Mas ele aconteceu.

E foi ali, no invisível, que eu me tornei alguém que nunca mais seria a mesma.


- Rita Lourenço 

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