Em algum momento, olhei em volta e simplesmente parei.
Fui me afastando, me silenciando e me acolhendo dentro de mim. O silêncio foi um amigo necessário, pois quanto menos barulho, mais eu me encontrava.
Ao voltar para dentro, encontrei algumas caixas cheias de poeira. Quando as abri, havia lembranças, memórias, dores e cicatrizes. E, no meio de tudo, uma menina sentada, tentando entender como havia começado a sua trajetória.
Cada passo do caminho era como um espinho afiado, que machucava até sangrar. Mas, depois que todo o sangue escorria, surgia uma cicatriz limpa e firme, como se cada processo fosse uma cirurgia da alma. Permaneci por um bom tempo nesse porão dos meus sentimentos.
Após organizar aquela bagunça, olhei para trás e vi uma fila de novos sentimentos e memórias. Mas, em vez de deixá-los espalhados, aproveitei para organizá-los em caixas que já estavam abertas. Entre todas, precisei pegar uma nova, limpinha. Nela escrevi as palavras SONHOS / REALIZAÇÕES.
Depois de tudo isso, voltei para fora. E percebi estar renascendo. O mundo já não era tão barulhento, as pessoas já não eram as mesmas.
Mudei comportamentos, atitudes… E entendi que, às vezes, precisamos nos encontrar para conseguir seguir em frente.
- Rita Lourenço